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“Faturamento é ego” e outras verdades que os MEIs brasileiros estão começando a descobrir

21/05/2026
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Existe uma cena muito comum no empreendedorismo brasileiro. A pessoa trabalha o mês inteiro, vende bem, atende cliente, resolve problema, corre atrás e, ainda assim, chega ao fim do mês sem entender exatamente para onde o dinheiro foi. Essa sensação ajuda a explicar por que tantos pequenos negócios vivem em permanente estado de urgência, mesmo quando conseguem aumentar as vendas e movimentar a empresa.

Para Thiago Godoy, fundador da plataforma Papai Financeiro e um dos principais influenciadores de educação financeira do país, o problema muitas vezes está na ausência de previsibilidade financeira. Segundo ele, muitos MEIs olham apenas para o dinheiro que entra, sem conseguir construir uma estrutura minimamente saudável de fluxo de caixa, margem e lucro.

“Faturamento é ego. Você pode faturar muito e lucrar pouco”, afirmou durante o segundo dia do Esquenta Semana do MEI, do Sebrae. O conteúdo completo da transmissão pode ser assistido on-line.

Segundo Thiago, muitos empreendedores acabam operando no automático e transformam a conta da empresa em extensão da vida pessoal. O dinheiro do negócio cobre despesas da casa, pagamentos acontecem sem controle e, aos poucos, desaparece qualquer clareza sobre o fluxo financeiro da empresa.

“Muitas vezes a conta do negócio está mais acessível, tem dinheiro ali, liquidez, e você acha que não vai dar problema. Mas perde totalmente a clareza sobre como funciona o fluxo de caixa”, explicou.

Para tentar simplificar essa organização financeira, Thiago criou a metodologia FIRME, proposta que reúne conceitos como separação entre conta pessoal e empresarial, entendimento de margem de lucro, controle de fluxo de caixa, definição de pró-labore e construção de reserva financeira. A ideia é fazer com que o empreendedor consiga parar de administrar o negócio apenas no improviso.

Você trabalha muito e, no final do mês, o dinheiro some. O que falta é método.

Thiago Godoy, fundador da plataforma Papai Financeiro

Ao falar sobre previsibilidade, Thiago chamou atenção para um comportamento bastante comum entre empreendedores brasileiros: trabalhar sempre olhando para um dinheiro que ainda vai entrar. Segundo ele, esse hábito cria um ciclo contínuo de ansiedade financeira e decisões impulsivas. Quanto mais o empreendedor depende de dinheiro futuro, maior tende a ser a dificuldade de organizar a gestão financeira no presente.

A discussão ganha ainda mais peso em um cenário em que muitos pequenos negócios convivem com parcelamentos longos, crédito caro, aumento constante de insumos e pressão das redes sociais para aparentar crescimento rápido. “A gente vive num mundo onde as pessoas mostram muito mais do que qualquer coisa. Tem empreendedor que começa a ganhar dinheiro e já se deslumbra. Sonhar é importante. Planejar o sonho é mais importante ainda.”

A empreendedora Camila Policarpo trouxe um retrato bastante concreto dessa realidade ao contar a própria experiência. Formada em engenharia de produção, ela começou a empreender depois de perder o emprego no pós-pandemia. O pontapé inicial foi investir o seguro-desemprego em cursos de confeitaria. Ela relata que, no começo, “misturava tudo” e não sabia exatamente o que era lucro, faturamento ou margem. “A gente não aprende isso e vai muito na raça”, diz.

Camila conta que a empresa começou a ganhar estrutura quando passou a acompanhar custos, insumos e precificação de maneira mais organizada, colocando tudo em planilhas. “Quando vejo que um insumo aumentou de preço, já consigo verificar e me preparar.” Segundo a empreendedora, uma das maiores dificuldades foi aprender a reconhecer o valor do próprio trabalho e separar a vida pessoal da empresa.

Foi uma virada de chave quando consegui separar o profissional do pessoal.

Camila Policarpo, empreendedora

Hoje, a Ducié ganhou projeção pelos produtos feitos com coco babaçu, ingrediente ligado ao trabalho das quebradeiras de coco da região de Imperatriz, no Maranhão. O brownie meio amargo de babaçu virou o carro-chefe da marca e ajudou a dar visibilidade ao negócio.

A especialista em finanças do Sebrae Rio, Fanny Araújo, chamou atenção para um ponto importante: muitos empreendedores sabem o que precisam fazer financeiramente, mas não conseguem transformar controle em hábito. Segundo ela, um dos erros mais comuns é olhar apenas para o dinheiro disponível em conta e acreditar que aquilo representa lucro real.

“Às vezes tem dinheiro em caixa, mas a empresa não está dando lucro.”

Ela também fez um alerta sobre crédito, frequentemente tratado como solução imediata para qualquer dificuldade financeira: “o crédito pode ser tanto remédio quanto veneno”. Para Fanny, empréstimos podem ajudar empresas a crescer, mas apenas quando existe clareza sobre objetivo, custo da operação e retorno esperado.

O Esquenta Semana do MEI segue até esta sexta (22) com transmissão às 18h, pelo canal do Sebrae no YouTube.

Hoje, o Esquenta terá a participação de Gian Giardelli, referência em transformação digital, inteligência artificial e comportamento. Amanhã, será a vez de Ana Tex, empresária conhecida pelos conteúdos sobre posicionamento digital, e-commerce e estratégias de vendas pela internet.

Semana do MEI

De 25 a 29 de maio, o Sebrae promove em todo o Brasil a Semana do MEI, com ações presenciais e eventos on-line. Em sua 17ª edição, a iniciativa contempla em sua programação atividades sobre comportamento empreendedor, planejamento para formalizar ou decolar seu negócio, orientações para crédito, gestão financeira, inovação, transformação digital, atendimento ao cliente, como vender mais e melhor, marketing e muito mais. Participe!


Fonte: Agência Sebrae

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